Solidão

Há um raio de sol que permeia de solidão os arredores. Guiados pelo cansaço, os homens passam na frente do prédio, sem apego ao momento. Há poucas horas, cadáveres espreitavam entediados nossas primeiras descobertas. Nada é a certeza que nos condena. E, desprovidos de êxtase, corremos atrás de um sonho. Distante.

Tudo é poesia. Mesmorembrnt os restos de um corpo que já não responde por si mesmo. Eles passeiam pelos corredores, sobem e descem escadas e deixam, por onde passam, um rastro do seu desejo. Desejo que é sombra. Sem dono.

Poeira: um ponto que se aproxima a todo segundo. Águas falsificadas em um destino codificado. Sem chances, sem desvio. Uma longa reta que parece levar ao infinito. Não é um engano.

Onde ficaram perdidas nossas decisões? Em piadas soltas, em risos ensaiados? Grupos de estudantes se unem pelos corredores, junto a objetos que não são notados. Gozam da felicidade do estar. Ainda não descobriram a poesia do ser. Poucos descobrem. Em meio a acidentes e obsessões amorosas (que não deixam de ser acidentes), procuramos tais versos.

E mais nada se transforma. Os beijos sempre são punhaladas; as amizades, distância. Os membros nem sempre têm força, e os homens carregam sua dor nesse caminho incerto. Já somos pó. Sem saber.

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