A porta

Ouço gritos atrás dessa porta. Num momento contidos, depois monótonos, às vezes incompreensíveis, quase sempre esmagadores. São tão deletérios, que acabo mal conseguindo distinguir se realmente há uma porta entre nós. Porque, ao meu redor, tudo parece tranquilo, e ainda assim, os gritos persistem. Ao mesmo tempo, essa tranquilidade externa me invade, e creio que em mim tudo se cala, sirvo somente de eco para os lamentos tristes que preenchem a sala contígua, cujos rostos não poso divisar.

Sei que posso escolher, criar possibilidades. Abrir a porta e reconhecer um novo ambiente, reconhecer-me em um novo ambiente; afastar-me dessa passagem até perdê-la de vista, até perder-me de vista; ou ficar onde estou, e esperar que as angústias se rendam ao silêncio.porta_aberta

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