Curtas

Nas alturas, o mundo fica um pouco maior aos meus olhos, um pouco menor ao meu alcance. Tenho tudo sob os pés. Mas o tudo é efêmero, o tudo deixa de ser quando se vai. Vai para não sei onde e talvez até continue sendo, mas não mais para mim. Olho para baixo e penso que tudo é meu, nada me satisfaz, mas me pertence nesses instantes fugidios. E sigo sem olhar para trás, deixando tudo para trás…

altura05


Há dores que articulação nenhuma de palavras pode decifrar. Não falo somente de lágrimas ou de uma disfarçada desconversa. Nem de uma poesia declamada em clima de ponto final. Trata-se da música cantada com desembaraço, falando de um coração magoado, de pais distantes. É o amparo de uma colega, que ao mesmo tempo, queixa-se das suas saudades. É a tristeza de ser só. São palavras confusas e um vestido vermelho, que inspira juventude e sedução. É a esperança no amanhã ou na hora seguinte. Ou a desesperança. É saber-se estranho, sem proferir tal expressão. Saber-se humano, sentir se humano, ser humano. Com todas as suas pulsões de morte e instintos de vida alternados. Uma vida cheia de reticências em encontros constantemente adiados.


Pardo o teu rosto
envenena-me as horas,
feito o dia que acaba,
como o relógio que pára.

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