As armas

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“Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam.” Antoine de Saint-Exupéry

Tínhamos um plano de nos virarmos pelo avesso
e a idéia de ser mais irradiava dentro de mim.
Mas você largou as armas e buscou sonhos confessos
e esqueceu que no combate não há tanto risco assim.

Sem armas, sem canções, encarou seus frágeis medos
e deixou-me atrás da porta a espreitar o seu delírio.
Seguiu desertos rumos e ignorou os meus apelos
na certeza de ser só com seu distante equilíbrio.

Preparou-se, então, para a luta contra seus vilões internos
e contemplou imagens vãs de um sucesso leviano.
Mas ao caçar os seus limites e encontrar os seus infernos,
perdeu-se nos seus sonhos, perdeu-se em reais enganos.

Agora resta a dúvida nas paixões que não preenchem
todo o triunfo garantido quando estava ao meu lado.
E o temor que alucina suas noites de suspiros
cala ainda o meu grito, evitando despertá-lo.