O beijo

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Mãos unidas, corpos resvalando, sinto sua essência tão próxima de mim, sua boca me convoca em sopro perfumado, e a pele vivencia o mormaço de seu hálito. Aguardo ansiosa o batismo dos seus lábios, aglomerando-se nos meus, feito colisão frontal, sem cálculo, sem premência, com devoção ausente de embaraço.

Esse toque me acode, surge para coexistir junto a mim, eu que não sei ser deserta, eu que suplico contato. Chega para invadir meus impérios, tomar posse, traz junto seu odor, sua saliva, sua língua, seus olhos cerrados embrenhando-se em minhas trevas.

Nada mais se enquadra no espaço de um beijo, nenhum segredo cala, por fim, nossa comoção e outras formas de linguagem se esvaecem. Vou e retorno da amplidão ao abismo em um mero átimo e não me interessa mais outra direção tomar.

Não me solte, não lacere minha alma ao desvencilhar-se de meus lábios.  Quero persistir nessa viagem, excursionando em seus sentidos, perdendo-me na falta de juízo e , desprovida de qualquer inquietação, deixando a noite cair…

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