Eternamente larva

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O presente se desagrega junto com minha consciência. Fragmentos do que sou ou do que não fui se aderem aos muros que me cercam, expondo-me a um julgamento ilimitado. E quando me reintegro, percebo olhos que, em todas as direções, perseguem meus passos, espreitam cada decisão, cada ato, sem, no entanto, definir o correto. Tento enganá-los, fugir do seu alcance, mas é inútil, pois, por mais que eu me tranque em quartos vazios ou corra por desertos distantes, ainda sinto a sombra desses olhos pestanejando dentro de mim.

Descobertas…serão esses mesmos olhos capazes de sugá-las, incorporando toda a seiva? Aprenderão esses olhos a prever as consequências, aceitar as mudanças e ainda adaptar-se às situações sem que eu me quebre novamente e os cacos espalhados demonstrem a fraqueza da qual me servi?

Não. Meu corpo é andarilho, temendo pisar em meus próprios pedaços. Meu pensamento plana por entre as ruas, buscando soluções precisas para o cansaço das noites. Juntos, eles me guiam, ajudam-me a encontrar o caminho. Percebem que devem caminhar unidos, não como objetos isolados que potenciam suas forças, mas como corpo único, incompleto em sua formação, cheio de poros, esperando o momento de serem preenchidos.

Amadurecimento…

Creio que muitos rostos serão encontrados e muitos véus serão retirados de nossos olhos internos e externos. E, mesmo assim, continuaremos sendo larva. Ao redor, tudo ainda é mistério e, como larva, estamos suscetíveis ao desenvolvimento, e este é constante. Não se trata de regressão, e sim, de abstração para reconhecer o novo (que será evitado ou enfrentado) e encarar repetições com a visão de quem recomeça.

Sou larva que sonha, que se projeta intensamente em mundos capazes de me absorver, destruir ilusões ou dar-me chances de prosseguir com olhos atentos para o que é real (intrínseco ou não).

A partir disso, não mais importa de quem são as partes jogadas nesse chão, muito menos se sou eu quem piso em meu próprio corpo. Se posso tentar juntá-los e compor o que sou (deixando para trás o que não fui) ou ainda reconstituir um outro corpo, que não me pertença, mas cujas dores, tormentos e incertezas não devam jamais ser ignorados, então, sei que cada dia será uma nova apreciação, e é hora de recolher minhas asas e retornar ao casulo para ouvir vozes que não sejam somente as minhas. Se a consciência não concordar em aceitar o que ouve, que as asas se manifestem e decidam, assim, que rumo tomar.

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