Madrugada

frases_sobre_madrugada03

São duas horas. O telefone ainda está ligado e a voz ecoa pelo quarto turvo. As trevas abandonam a cama e cruzam pela porta. Seu nome está protegido, acobertado. Fugiu das opiniões. Não lhe interessam as sentenças. A madrugada está sendo devorada. Inusitadas palavras, infalível encontro. Insiste. Não desligue. Emperra. Nesse vai, não vai. Tchau, não tchau. Faz charme, agita-se. Quer saber dos passos dela, investiga. Coleciona suas frases e até o silêncio que a rege. Desafia os segredos. Que já não são mais dela. Confidências em sussurro. Deixa-a contra a parede. E não há mais minuto anterior. Chama seu nome. Som raso. O depois lhes pertence. Muda o tom. Muda a cor. Sem embaraço. Reivindica e ela se habitua. Oposição, avesso do avesso do avesso. Incompatível, mas suga o sangue vermelho primeiro. Há ferida, não importa. Ela primeiro. Não consegue partir. Ele, então. Não quer. Tem feitiço. Magia farta. Os sons não se distinguem. Porque o coração decretou bater feroz, quase desumano. Tum ta. Tum ta, segue indomado. Nada mais. Melhor romper a ligação. Desatar o nó. Desatrelar-se da fantasia. Amor fantasma. Amor remoto. Promete antes que irá voltar. Ela não tem evidência disso. Mas acata. Partida, conclusão. O relógio não parou, apesar do momento parecer eterno. Clique. Zero ruído. Enfrenta o resto da madrugada, prestes a cessar.

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