Duetos: Eu em mim

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

11694930_1108705445816557_8595821295550226573_nDessa vez, a colaboração é da Kika Lima, amiga, parceira de vida e alma, que topou responder às perguntas e delirar um pouco junto comigo. Como ela é o tipo de pessoa que dispensa definições, teria que conhecê-la para entender, deixo aqui a frase que norteia sua vida:

“Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome”
(Clarice Lispector)

Partimos de uma imagem ao espelho, com a ideia de reconhecer-se ali, um alguém que não estava acostumado a olhar para si. O resultado pode ser conferido aqui:

EU EM MIM

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Ei, chegue mais perto.

Era minha voz que soava imperativa mas longínqua, em alguma minúcia do quarto que eu ainda não percebia. Oh, não, será que ousei partir e esqueci de me findar? Eu que Continuar lendo

Tag SCARLET MOON BLOGGER AWARD

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Fui indicada pelo Marcelo Raymundo do blog Patriamarga (que eu sigo desde o meu início aqui na blogosfera) a responder essa tag com três perguntinhas. Além do respeito e admiração que tenho por ele, essa tag vai em homenagem a “vó” dele, cuja máxima é “Se você tem uma Tag para responder, então, responda logo! Porque, com certeza, vai esquecer”.

  • Qual é a sua maior qualidade?

Minha maior qualidade é ser eu mesma. Hmmmm, acho que essa resposta caberia bem numa pergunta “qual é o seu maior defeito?”. Mas vamos fingir que está tudo bem e seguir adiante…

  • Como lida com a solidão? Fez ou faz parte de sua vida?

Como eu já lidei com a solidão: chorando, fazendo terapia, escrevendo, reclamando, curtindo a solidão em tom derrotista. Hoje não deixo a solidão me abater…lido com ela como quem lida com uma amiga que vem fazer companhia de vez em quando: dialogando com ela.

  • Já abriu mão de algum sonho?

Sim! Já abri mão, já retomei a luta, já enganei os sonhos, dei uma fingida que não eram importantes, já esqueci.

Para fugir à regra, desafio algumas pessoas a responderem essa pergunta nos comentários ou em seu blog.

Você já abriu mão de um sonho por conta do excesso de solidão que estava sentindo?

 

O próprio Marcelo, do blog Patriamarga

Claudio, do blog Unobtainium

Sílvia, do blog Reflexões e Angústias

Ju Lima, do blog Fabulonica

Lucas palhão, do Blog do Palhão

Gustavo, do blog Gustavo Roubert

 

Duetos: A-DOR-AR

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Criei esse espaço “Duetos” para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

O resultado está me trazendo um contentamento místico e a certeza de que escrever é o que quero fazer para o resto da vida.

Começaremos com ele, o escritor Hang Ferrero, autor do blog O Ponto Afinal, cujos poemas tem feito a diferença nos meus dias. Roubo da sua página essa sublime descrição: Continuar lendo

Desejos da manhã

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Eu me desejo uma manhã vermelha, bastante ruborizada pelo receio do porvir, mas com pressa de que chegue em breve.

Eu me desejo muitos raios de sol precipitando em minha trilha, no chão incidindo e reverberando em minha pele, com o mormaço do dia que ainda nem começou.

Eu me desejo muitos desejos, a sede do beijo, a imoderação do abraço, a inevitabilidade das palavras, quentes em silêncio ou gritadas em longas conversas sem hora nem porquê.

Eu me desejo um equilíbrio das calmarias e inquietações,  e se não for possível, que os ventos agitem em mim só o que pertencer ao poema.

Eu desejo em mim pedaços inteiros, já que só me conheço fragmentada, mas que essas fatias não sejam maceradas, a ponto de não poderem mais ser exploradas.

Eu me desejo um dia sem espera, com algumas emergências em viver, porque o minuto é passageiro e eu ainda quero sorrir, com meus olhos vermelhos.

E que em breve comecem os porquês.

E que em breve se explore o poema.

E o vermelho se instale, feito dono de mim.