Algo do seu abraço

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Dê-me um pedaço do seu abraço, só um pedaço, meio braço, meio afago, que é para eu voltar a ser inteira, pois ando partida, meio aos meados.

Dê-me um bocado do calor do seu abraço, fervoroso ou morno, não me importa, que é para eu deixar de sentir esse frio, estou prestes a congelar.

Dê-me um segundo do seu abraço, em ponteiro trêmulo ou digital sem digitais, que é para eu voltar a perceber-me no agora, pois minhas horas estão em fuga, não são minhas, nunca irão me pertencer.

Dê-me um gole do seu abraço, seco ou doce, lúgubre ou preciso, não faço exigência, que é para remediar as feridas na garganta seca e em brasa.

Dê-me um nome em seu abraço, próprio ou bestial, que é para eu deixar de ser algo sem rumo e ser convocada pelos lábios de alguém.

Dê-me uma direção em seu abraço, com seta e pista, que é para eu ter alguma informação de para onde deverei ir, mesmo que o regresso seja em breve.

Dê-me um toque mesmo que golpe, um suspiro mesmo que gemido, uma sentença mesmo derradeira, que é para eu deixar de ter medo, eu que me vi assim derramada e sem superfície.

Dê-me um abraço lá fora, antes que as trevas dominem.

Bem por dentro de mim, antes que as chamas fervilhem.

Mas dê-me um abraço agora, antes que o dia termine.

 

Duetos: Silêncio e grito em duelo

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

E o “encontro” de hoje me trouxe satisfação e alegrias imensas, pois é com o Marcelo, do blog Patriamarga.  Tomei a liberdade de descrever o seu relato sobre a máxima de sua vida, acho que nada mais esclarecedor e uma forma de mostrar uma “pitada” de quem ele é (interpretação minha, obviamente, que o tenho conhecido um pouquinho mais a cada post):

2c5110f291e2bf3d313d768236362ebb“Minha frase de ordem, apesar do nordestino que persegue meu imaginário, é uma bem paulista: “NON DUCOR DUCO” (“Não sou conduzido, conduzo”). Que está no Brasão da cidade de São Paulo!
O que parece arrogância é, na minha verdade e que passo para meus filhos, um sinal de que somos totalmente responsáveis pelos nossos atos. Sigo adiante e liderando minha consciência, mas se algo der errado, que eu esteja sempre consciente.

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Duetos: Vamos falar de amor?

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

Francine - Lançamento do 1º Livro (48 de 279)Dessa vez, a parceria é com Neide Costa, amiga da vida, das terapias diárias e aliada das palavras, a pessoa que mais me incentivou a dar à luz o blog. A máxima de sua vida é essa frase do Amyr Klink:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

 

Partimos de um tema já bastante surrado, mas eu julgava essencial que falássemos disso, à nossa maneira: o amor. E desenvolvemos ao longo de algumas semanas um diálogo contraditório em algumas linhas, complementar em outras. Resumidamente, um tanto quiescente, um outro tanto carne viva.

 

VAMOS FALAR DE AMOR?

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Ei, chegue mais perto, com o corpo livre e o espírito desperto.

Vamos falar de amor?

(Sem rodeio, sem ferida, cravado e inquebrantável, feito lágrima preterida)

Quanta responsabilidade!!

Então, vamos falar de amor.

Vale a pena, vale a cena e o poema?

Já dizia o poeta: “qualquer forma de amor vale a pena, qualquer forma de amor valerá”.

E para qual direção irão suas palavras, rijas e sem correção?

Amor em suas diversas versões, intensidades e segredos.

(seria tal enigma a nascente do meu desenredo?)

Desde os primórdios, uma verdade sempre prevaleceu: “sem amor, eu nada seria”.

Nada seria, nada faria, nada quereria!

Amor que enobrece, enriquece ou enlouquece / endoidece.

Que afugenta, extasia ou surrupia (sem equilíbrio, teria sido o chão por ele raptado?).

Amor que penetra, preenchendo completamente ou ferindo toda.

Seta certeira que derrama pétalas e sangue em minha face exangue.

Amor que faz chorar e que também faz sorrir.

Não me ficam lágrimas, não me exuberam risos, mal me percebo, já nem me preciso.

Ah, o amor. Exato e tão humano! Cheio de erros e acertos.

Mas tanto claudico e, no entanto, simetrizo quase em concerto. Harmonia cristalina.

Amor pelos filhos. Por um time de futebol. Por Deus.

Pelo que renasce. Pelo desconsolo. Pelo bálsamo, enfim.

Arrebata e consolida paixões antigas.

Paixão que vozeia e não quer despedida.

Amo porque eu amo, sem mais.

Sem menos, sem horas iguais, sem olhares serenos.

Amor faz bem, preenche.

Ou esvazia tudo de vez.

O amor do dia-a-dia.

Compassivo e sem ousadia.heart-762564_960_720

O amor da saudade de tempos distantes.

Amor das verdades que há tempos se fazem errantes.

Amores impossíveis que se tornam possíveis. Platônicos.

Reclusos, trêmulos ao raiar, temerosos em ser titânicos.

Em meio a tanta intolerância, que prevaleça o amor em todas as suas formas, dimensões e cores.

Sem sim e sem não, quase sem alternativa.

Sem emblema, sem volume e meio sem expectativa.

Venha mais perto, vamos falar…

 

 

Até o próximo encontro!

 

 

Duetos: Eu só vim te dar a minha mão

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

Hoje estou muito honrada em dividir as palavras com a Sílvia Souza, do blog Reflexões e Angústias.

silviaRoubei do blog dela a sua descrição de si mesma:

Uma mulher com múltiplas almas. Sou mãe acima de tudo. Profissional apaixonada pelo que faz. Sou sensível, romântica, sonhadora, intensa, sincera. Busco explicações todos os dias. Explicações para a vida, para os acontecimentos, para as belezas do mundo. Reflito sobre tudo o tempo todo. Não busco certezas absolutas, que não existem. Apenas quero encontrar meu papel na sociedade, porque quero viver em paz. Sou apaixonada por livros, por filmes, por viagens.

A máxima de sua vida é:

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A Sílvia é formada pela mesma Continuar lendo

Duetos: A boneca esquecida

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

Fer e eu (2)Hoje a parceria é com Fernanda Camargo, que além de ser minha irmã, é Doutora em Matemática, leitora voraz e cúmplice na tarefa de viver. A máxima de sua vida é:

“A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que se é infeliz” (Dostoiévski)

 

O texto que escrevemos juntas Continuar lendo

Tag Cheia de Histórias

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Mais uma TAG a ser respondida, dessa vez com um aroma diferenciado: o Marcelo do blog Patriamarga me indicou para responder às dez perguntinhas dessa TAG, com a sugestão de que o fizesse de uma forma incomum, com ideias e histórias.

Pois bem. Seguem as minhas respostas, da forma que eu consigo fazer (evasiva, fazer o quê…?).

 

  1. Qual sua maior inspiração para escrever?

Ela vem. Começa bailarina, com seu passo harmonioso, sem remate, doida para saltitar à luz da lua. De repente pára, questiona. É interpelada. Não sabe se fica, se prossegue. E vira tempestade, com raios súbitos. Quem a trouxe? Alguma dor que não se acaba? Algum amor que nem existe? A constatação de que as adjacências podem ser diferentes? O que sei é que ora graciosa, ora tumulto, ela será bem vinda. Ela, a ideia. Continuar lendo