Feliz dia do amigo

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Quando o sorriso brilha em seu rosto, é meu coração que comemora.
Sorrio junto meio platéia, meio elenco.
Quando a escuridão lhe comprime o peito, avivo uma chama onde nem sabia existir lenha.
E espero, com os dedos cruzados, que a pequena luz guie e transforme sua mágoa em nova marcha.
Quando seus lábios se preservam em mudez, curvo-me ao seu silêncio, sem pressa.
Mas se sinto que há reticências, convoco, protesto, não me refreio, pois espaços em branco são uma deixa para reescrevermos a história.
E quando abrir bem alongados os braços, sei que os raios de sol irão lhe envolver.
Mas é meu abraço que reconhecerá, cravado e intenso, com sabor de todo dia.
Mesmo que seja noite.
Mesmo que seja tão longe.
Mesmo que se reflita em poesia.
Pois a noite tem desfecho.
A distância não tem começo.
E a poesia é só um meio de dialogar com sua alma,
meu amado amigo.

 

Outra

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Meu nome é Ana. Sou como essa poesia dura que o tempo não soube conservar, por isso não respondo a gracejos e pouco riso há em meus olhos. Os dias me passam e vou minguando rente a eles.

Mas hoje eu me chamo Bete. Os ares ao meu redor me expulsam de mim. Resolvo, então, sair pela noite, em busca de qualquer cena para viver. E logo no segundo ato já estou desperdiçada. Não me basta ser tocada, esse corpo não é meu.

Desperto como Laura. E me faço inteligível, posso até cantar, tenho o pescoço fino inclinado e o olhar ao céu. Hoje só sei erguer-me e nada me deterá.

Como? Invoca-me Sofia? Pois será como quiser. Ando acelerada demais para reconhecer-me em um simples epíteto. Feito nuvem, logo mais posso não estar por aqui e o som que sai de sua boca tornar-se-á somente eco…de uma criatura ida.

Ontem eu era sombria e me despi para examinar cada centímetro de minha pele crua.

Hoje sou equilibrista e me extravio no ar, nada me faz cair.

Amanhã serei uma máscara, sobre mim só restará suposição.

Maria. Fabiana. Patrícia. Sandra. Vanessa. Joana.

Beijo. Desejo. Incerteza. Resolução. Distância. Projeção.

Minha alma grita, mas não sei falar.

Anseio por descobrir-me, hora ou outra.

Sem correria, pois em segundos, já serei maior.

Duetos: Não me calo

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Criei esse espaço “Duetos” para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

O resultado está me trazendo um contentamento místico e a certeza de que escrever é o que quero fazer para o resto da vida.

A parceria de hoje é com o querido Cláudio El-Jabel, ou Kambami,  do blog UNOBTAINIUM, uma pessoa absurdamente expressiva, que se define como um “observador nato desde minha aparição”.

A fra94d6b43371c004dc3ccad9484d797457se de sua vida é “Quode natura date, Nemo negare potere (O que a natureza nos dá, não podemos negar)”.

Bom, o Cláudio aceitou esse desafio junto comigo e passamos semanas a descobrir que ponto abordar. Queríamos criar um diálogo da mente consigo mesma, em suas contradições e contestações, como alguém que instiga a si mesmo e reflete sobre suas dicotomias. Eis que surge um texto dele chamado “Ego” que era tudo que precisávamos desenvolver. E o resultado segue abaixo, cuspido (foi escrito muito rápido) e acho que, mesmo distantes, conseguimos nos misturar e fazer parte, os dois, da mesma consciência.

Cláudio, agradeço a você a disponibilidade e a firmeza em entrar nessa comigo. Segue o texto abaixo, convido a todos a uma leitura com a alma, puxem suas cadeiras e sentem-se. Continuar lendo