Outra

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Meu nome é Ana. Sou como essa poesia dura que o tempo não soube conservar, por isso não respondo a gracejos e pouco riso há em meus olhos. Os dias me passam e vou minguando rente a eles.

Mas hoje eu me chamo Bete. Os ares ao meu redor me expulsam de mim. Resolvo, então, sair pela noite, em busca de qualquer cena para viver. E logo no segundo ato já estou desperdiçada. Não me basta ser tocada, esse corpo não é meu.

Desperto como Laura. E me faço inteligível, posso até cantar, tenho o pescoço fino inclinado e o olhar ao céu. Hoje só sei erguer-me e nada me deterá.

Como? Invoca-me Sofia? Pois será como quiser. Ando acelerada demais para reconhecer-me em um simples epíteto. Feito nuvem, logo mais posso não estar por aqui e o som que sai de sua boca tornar-se-á somente eco…de uma criatura ida.

Ontem eu era sombria e me despi para examinar cada centímetro de minha pele crua.

Hoje sou equilibrista e me extravio no ar, nada me faz cair.

Amanhã serei uma máscara, sobre mim só restará suposição.

Maria. Fabiana. Patrícia. Sandra. Vanessa. Joana.

Beijo. Desejo. Incerteza. Resolução. Distância. Projeção.

Minha alma grita, mas não sei falar.

Anseio por descobrir-me, hora ou outra.

Sem correria, pois em segundos, já serei maior.