Quando as asas se quebram

asa

Entre na minha vida com sutileza.

Eu estava voando e, repentinamente, percebi que a trajetória traçada, antes já sinuosa, transformou-se em um completo ziguezague, cujo ponto de pouso é traiçoeiro. Quando olhei para trás, minhas asas estavam partidas e, até então, eu pensava que era o vento que sobrecarregava meu corpo.

Não me desacredite.

Mas é mais fácil negar que não tenho mais abrigo. Finjo que o consolo está presente e me abandono nessa inocência, mesmo que a rachadura seja facilmente observada ao reflexo do espelho.

Meu adeus não é reversível.

Tantas vezes procurei aquela paz das confidências e a linguagem foi parceira até o momento em que resolveu ferir e a palavra ficou perdida, sílaba a sílaba separada, feito cristal fendido.

Depois dos cacos, renovação.

E hoje quero me reencontrar comigo mesma. Deixo os pedaços de lado, à vista, para que os mesmos enganos não me enlouqueçam.

E guardo a conclusão.

Nem toda dor requer analgésico, nem toda solidão se satisfaz com companhia, nem toda queixa necessita ser invadida. Não sei onde fica a oficina das asas. Algumas coisas não têm conserto.

 

4 comentários sobre “Quando as asas se quebram

  1. Parceria sem permissão.

    Sim é quando somos meio abusados e lemos algo que nos faz pensar refletir. É um caminho que sempre insisto em seguir.

    “A sutileza de entrar na vida de alguém”

    Para nós que participamos, não necessariamente verificamos para onde o vento sopra, apenas chegamos e como um puxar de cadeira, nos sentamos para conversar sem nenhuma intenção de algum dano vir tomar.

    “Desacreditar, nunca”

    A amizade quando verdadeira mesmo como a minha que insiste em escrever por vezes alguns besteiras, não desacredita nunca da capacidade humana de quem respira inspiração.

    “Não se reverte a despedida”

    Por maior que seja uma parceria, seja na vida, seja no trabalho, tudo sem tempo, seu momento, sua construção. Uma vez terminada só reta apenas a opção de dar por encerrada ou contemplar a obra com esmero triunfada.

    “Renovar-se não necessariamente significa juntar o que quebrou”

    Quando por qualquer motivo em nossa vida nos despimos da armadura, da fantasia ou mesmo da máscara que nosso rosto escondia, não estaremos mais na função primeira há de se seguir um outro caminho um novo destino, uma nova fronteira.

    “O concluir já é um fato”

    Toda nossa vida, passamos por momentos onde as cicatrizes servem para delinear de forma marcante toda trajetória percorrida. Não procuramos acertar o passado e sim trilhar o futuro certo.

    Fran minha amiga, desculpa minha escrita, mas me deu vontade. Pode não mesclar em nada, mas foi apenas uma vontade de brincar com as palavras e com sua escrita.
    Posso afirmar que amei, adorei, me senti leve e livre e o brilho de sua escrita mexe ao ponto de querer mesmo sem ser convidado a participar.( preciso palpitar ajuda minha mente ).

    Beijo em seu coração e bom final de semana. 😉

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s