Quatro anos de uma alma antiga

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“Mãe é aquela que sofre pelos filhos e marido,
é aquela que morre com a alma em sorriso.
Mãe é tudo na vida porque ela é quem nos dá
todo o afeto de amiga e os ensinamentos para a vida.
Mãe é amor, é fogo e paixão,
ela é o calor de todo coração.
Mãe nos ensina a amar o próximo,
ela nos dedica todo o seu amor e tempo, óbvio…”

Essa parte do ‘óbvio’ foi somente uma tentativa desajeitada de alguém rimar às pressas o poema de dia das mães, mas o texto é antigo, fora usado numa apresentação em 1989, terceira série, ela bem se lembrava de enunciá-lo aos berros, com  a mãe na platéia, como se só a sua voz restrugisse no pátio, em dia de homenagem. Os versos triviais não foram desaprendidos por quase trinta anos e ali na garganta se alojaram, quando tornou-se mãe, prontos para denunciarem como também ela queria ser condecorada, daquele mesmo jeito, com tanta exclamação.

Não via a hora que ele proferisse suas primeiras palavras, mesmo que não fosse ‘mamãe’ ou algo semelhante, bem sabia que não seria, pessimista que se fazia. Não foi mesmo, estava certa, demorou pouco mais de dois anos para reconhecê-la pelo nome, aos olhos de terceiros. Mas ela, apesar de tanto desejar ouvir a palavrinha, não poderia conjecturar que o termo ‘mãe’ seria pequeno demais para a profusão de sentimentos que viria a seguir. Continuar lendo