Tempestade cerebral

tempestade

“Não sou uma coisa que agradece ter se transformado em outra. Sou uma mulher, sou uma pessoa, sou uma atenção, sou um corpo olhando pela janela.”

(Clarice Lispector, em Tanta Mansidão)

Não venha regar minhas begônias, pois eu as quero íntegras, mesmo ressequidas. De dia sou Luiza e à noite, Carla, orgiástica, mas tanto faz, já que tenho medo de ser óbvia.

Tenho medo de cantar mal e não me fazer ouvir. Não me refiro à melodia, mas quando canto gosto de saber que meu corpo vibra e é vista uma luz emanada de dentro de mim, mesmo que a voz não ecoe.

Tenho medo de tropeçar e tombar. Insanamente acabo soltando um gritinho abafado, para que quem não assistiu à queda, possa notar-me estatelada ao chão.

E nada disso quer dizer eu mesma.

Sou aprendiz, mas se não souber o meu valor, nem você, principalmente eu, não adianta desgrudar os pés do solo, melhor criar raízes.

Talvez digam que não sou eu mesma, ou que não convém ser eu mesma. Porque política, futebol e religião não se discutem. Então me abstenho. Ora, mas como não falar se ainda estou me procurando por aí.

“Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar quando eu me encontrar.”

E corro o risco de nunca mais ser vista.

 

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