Para o ano novo

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“Ano novo, vida velha. A vida é mais do que calendários, fusos ou órbita gravitacional”

(Carlos Heitor Cony)

É muito pedido à meia noite, muita retrospectiva, muita tinta de caneta gasta, muito tempo passado no celular a percorrer redes sociais, em busca do que se viveu ou de como ser daqui por diante.

Para o novo ano, não é que, de repente, haverá plena paz, nem justiça; nem os homens se entenderão e tirarão os olhos de seus umbigos, já que egotismo não se cura com calendário novo. Também não adianta achar que dá para sair às ruas de alma e bolso abertos a qualquer hora da noite, pois não é que a Constituição de repente haverá de ser cumprida.
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Se não for agora, então quando?

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“E agora, José?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou”
(Carlos Drummond de Andrade)

Vale despertar no agora, tempo esse fundamental. O presente é o momento da escolha e da ação, dizem os especialistas. Antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Pois enquanto criam-se castelos no ar, seus alicerces podem muito bem ser fundados no chão, em concreto puro.

Minas não há mais! E não me venham com lições de teogonia que a luz já se apagou.

Mas e se não der, não puder, não vier, não couber nesse tal de agora?

Agora já foi. Vale reiniciar sem compromisso, pois o depois já  assomou.

Pare e observe. As mãos se ocupam do futuro e o texto se recolhe. Mas a história, essa sim, continua.

Daquilo que eu não sei

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“Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!”

(Ivan Lins)

Não aprendi a ser princesa, pois nem vestido garboso eu tinha, muito menos sabia caminhar com sapatos graciosos. E, mesmo com as bochechas exageradamente rosadas e os lábios afogueados com a maquiagem furtada, minha fantasia era distante. Não era em castelos que desejava viver, pois ainda não cogitava sair da escuridão.

Não soube jamais lidar com a Continuar lendo