Deserto em mim

Eu queria saber quem foi que inventou que a minha rua é deserta durante a madrugada. Tenho certeza de que quem disse essa calúnia ainda não sabe sonhar. Porque a verdade é que nessa hora não há paz. E as calçadas se povoam de lutas e conquistas, muitas festas e gritos, alguns felizes, outros perdidos; muitos heróis se despem e saem vociferando seus próximos intentos; muitas donzelas festejam com seus mais belos vestidos, enquanto fogem de suas prisões.

E eu, Menina Desejo, não posso sair. Digo, não quero sair. Porque eu prefiro sonhar.

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