Eu enovelada de mim

O sono vem, mas a mente não desliga. Náusea, náusea. Tá faltando pão, passo na padaria pra buscar. Desde quando a sala está girando? Tá faltando queijo, vou ao mercado comprar. As mãos tremem, o corpo agita. Bocejo, bocejo. Tá faltando serotonina, passo na farmácia pra resolver, de algum jeito.

Viro a página, rolo a barra. Concentra aí. Alguém chama, alguém grita, serei eu? Não, aqui estou quieta, a casa sim está cheia, vida está solta, vida leve, vida minha que nem sei viver.

Rio agora, sem palavra, de um modo gelado, sem outro gesto. Frio, frio. O sol não quer entrar, então fique aí fora, que preciso fechar as portas, apagar as luzes, resetar…

Recomeço, junto as pontas, reúno as letras, faz sentido? Não, nada explica. Há quem durma apesar do barulho, há quem siga embora em solo infértil, há quem fique estagnado. E eu fico ali, bem no meio, entre um murmúrio e outro, enjaulada no inverno, ansiando a primavera, que é a única certeza a seguir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s