O ano será seu

 

“Quero ver você não chorar,
não olhar pra trás…”

Fique tranquilo, você pode chorar sim. O quanto quiser, mas com algumas pausas para sorrisos; ou sorrisos com algumas pausas para lágrimas. Como quiser ou como puder.

Olhar para trás também será permitido. Só entenda que o passado ficou lá e que ele também torna você quem é agora.

Mas não se arrependa. Aprenda.

E se a dor nascer e, por alguma necessidade, você conseguir resistir, não se sinta obrigado a sorrir.

O amor, esse sim, só deve crescer!

E se, mesmo parecendo pequenino, sua sombra ostentar amplidão, erga-se, agarre a sua vida.

O ano será seu.

“Muito amor e paz pra você. Pra você.”

Pleno ano novo a todos, é o que interessa.

Feliz Ano Novo para quem já começou um novo ano

 “Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-la na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas…”
(Drummond) 

O calendário alega que faltam 12 dias para 2019. Em breve será chegada a hora das retrospectivas: de repensar os altos e baixos, as fugas e delitos, vitórias e baques. O que há para fazer melhor após a virada da folhinha? O que deixar para trás, no ano velho? Que promessas assumir na agenda em primeiro de janeiro? Dieta, vida saudável, exercício físico, leituras, trabalho, mudar o estilo, cortar o cabelo, engravidar, fazer terapia, parar de beber, viajar, abrir as asas…?

Qual é a conclusão para 2018? Como você o resumiria? Continuar lendo

Estou grávida, e agora?

O xixi foi feito, saiu meio desajeitado, tamanha era minha pressa e aflição em acertar a ponta do dispositivo pelo tempo correto. Deveria ter usado um copo, como sou imediatista, por que não me planejei para fazer o teste? Não me programei para estar aqui trancada nesse banheiro, esperando o resultado, com medo de que alguém bata à porta. Não esperava que o resultado viria em uma eternidade e meia, agora a resposta não consigo olhar, será que já deu tempo?

G R Á V I D A

O quê?????

E o dispositivo repetiu, olhando nos meus olhos: GRÁVIDA. Não disse isso em alto som, obviamente, mas aquelas palavras me fitavam, cobrando uma atitude e, em vez de me levantar do assento sanitário, só conseguia responder com outra pergunta:

E AGORA????

A primeira dúvida é como sair daqui. Enquanto decido, levanto o corpo, que automaticamente pesa agora uns vinte quilos a mais e mal percebo, faço um buraco raso no chão do lavabo, nessa caminhada em círculos que julguei que resolveria minhas dúvidas e me traria soluções. Como sair daqui se não sou mais a que entrou? Como sair daqui se entrei só e terei que sair acompanhada?

Espere, espere, espere. É necessário reavaliar, contextualizar, fazer uma pequena retrospectiva. É possível este teste estar incorreto, não sei, será que…refarei as contas…eis que noto minha imagem ao espelho e de repente me lembro que é comum relatos de que mulheres grávidas se tornam mais sábias. Venha a mim, sabedoria, preciso pensar em algo.

Ela não veio, não encontrei. Mas o que preciso?

Preciso sair ao mundo, gritar a notícia a quem for de interesse e, à medida que tomar para mim essa novidade, realizar as providências e cuidar de tudo, poderei responder com tranquilidade:

Estou grávida e bola para frente.

– Mas então você está grávida???

E faz-se a lista dos nãopodes, os ditos palpites. Não pode carregar peso, não pode correr; não pode usar salto alto e nem roupa muito justa; não pode alisar o cabelo, nem usar tintura; não pode tomar remédio, nem tomar partido; não pode comer peixe, engolir sapo, comer bola; não pode passar vontades, passar nervoso, passar aperto, passar batido.

Posso ser o quê? Posso ser quem?

Então descubro que a gestação se conta em semanas, mas muitos vão querer a data em meses e não saberei fazer contas, já que mesmo hoje não sei em que dia estamos. E avisto que aquela mancha no ultrassom, da qual não entendi nada e que a médica reconhece com naturalidade, é de fato um ser que me habita. E antevejo que esse é só o começo e que meu corpo inteiro irá se modificar, mas nenhum quilo a mais, nenhuma dilatação, nada nesse processo de embarangamento se compara à transformação que já se processa dentro de mim, pois agora não sou mais só eu, não estou mais sozinha.

Tem alguém aqui que sabe o que como escondida, que sabe o que eu sinto quando estou atrasada, que me vê enlouquecida no trânsito carregado, que sabe que tenho sono, desejos, manias, que sabe que sorrio quando quero chorar, e que choro baixinho para ninguém ouvir. O que faço com você que me olha o tempo todo?

M E D O.

Que medo de perder o bebê. Que medo de ter um bebê! Que medo de não achar tudo lindo, a melhor experiência da vida, como me dizem, que medo de me queixar e assumir que nem tudo será maravilhoso…

Então, estou aqui com minhas tantas semanas contadas na agenda, migrando de humor num passe facílimo de mágica, em que saio do mood Mestre Yoda e personifico Cersei Lannister em poucos segundos. Sou uma montanha russa de emoções, personagens e afetos.

Estamos só no começo, mas estamos em dupla. Mas agora quando me pergunto quem sou, a resposta tem sido: como eu consigo ser. Há amor rondando essa novidade? Então, serei quem quiser. Por ora, chamem-me Mãe, pois estou adorando a alguém pertencer.