Adote uma lua

– Boa noite, Note!

E ele me afrontou dali, em seu modo de espera, enquanto eu divagava se a tela do site não estaria, quem sabe feito magia, toda arranjada, preenchida e pronta para navegar.

Não, não estava. Os espaços em branco me intimavam. Era meu esse encargo, fui eu mesma que decretei que essa noite me doaria a algum estranho. E, para começar, era hora de abarrotar cada janela com as lacunas de minha tediosa existência.

“Então seguirei meu coração até o fim…” Continuar lendo

Uma dose de empatia, por favor

Há fundamentos variados para se sentir triste e formas grosseiramente distintas de expressar essa emoção. E não é o motivo da tristeza que a valida, que traz sublimidade a ela, gerando maior valor. Não é preciso se sentir desolado por grandes tragédias, nem por questões universais; os pequenos dramas têm seu direito em raspar a consciência e provocar feridas. Não é imperioso sentir a tristeza que todos estiverem compartilhando em dado momento ou ainda sentir-se mal quando é dessa maneira que todos esperam que você se posicione. Continuar lendo

As pancadas da vida

Alguns irão escapar, mesmo que você os retenha o mais firmemente possível com suas mãos doloridas e não haverá nada a dizer, nem se entristeça, pois eles não são seus.

Alguns irão berrar, ofender, aviltar você, muitas vezes sem perceber, e não importa, porque você já começou a andar no sentido contrário, com os ouvidos vedados, ainda que zunindo, e aquelas palavras foram só jogadas ao vento. Continuar lendo

Ria seu riso

“Livrai-me de tudo que me trava o riso.”
(Caio Fernando Abreu)

 

Por onde andava, ninguém sabia ao certo, havia muito que não concedia o ar de sua graça, graça mesmo, por inteiro. Atrás das responsabilidades, boletos, relações enganosas e eclipses do dia, o Riso se perdera. Não se mostrava na rotina, não aparecia nas horas escuras, nem no calor das piadas, já que era mais fácil ser sério, era mais fácil ser brando, era mais simples ser vazio. Continuar lendo