Duetos: Silêncio e grito em duelo

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

E o “encontro” de hoje me trouxe satisfação e alegrias imensas, pois é com o Marcelo, do blog Patriamarga.  Tomei a liberdade de descrever o seu relato sobre a máxima de sua vida, acho que nada mais esclarecedor e uma forma de mostrar uma “pitada” de quem ele é (interpretação minha, obviamente, que o tenho conhecido um pouquinho mais a cada post):

2c5110f291e2bf3d313d768236362ebb“Minha frase de ordem, apesar do nordestino que persegue meu imaginário, é uma bem paulista: “NON DUCOR DUCO” (“Não sou conduzido, conduzo”). Que está no Brasão da cidade de São Paulo!
O que parece arrogância é, na minha verdade e que passo para meus filhos, um sinal de que somos totalmente responsáveis pelos nossos atos. Sigo adiante e liderando minha consciência, mas se algo der errado, que eu esteja sempre consciente.

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A porta

Ouço gritos atrás dessa porta. Num momento contidos, depois monótonos, às vezes incompreensíveis, quase sempre esmagadores. São tão deletérios, que acabo mal conseguindo distinguir se realmente há uma porta entre nós. Porque, ao meu redor, tudo parece tranquilo, e ainda assim, os gritos persistem. Ao mesmo tempo, essa tranquilidade externa me invade, e creio que em mim tudo se cala, sirvo somente de eco para os lamentos tristes que preenchem a sala contígua, cujos rostos não poso divisar.

Sei que posso escolher, criar possibilidades. Abrir a porta e reconhecer um novo ambiente, reconhecer-me em um novo ambiente; afastar-me dessa passagem até perdê-la de vista, até perder-me de vista; ou ficar onde estou, e esperar que as angústias se rendam ao silêncio.porta_aberta