Lista de costumes a atrair para a vida

Ali estava a vida, invocando seu direito de ser extraordinariamente vivida, mesmo com contrariedades e desvios extrínsecos às vontades. Ela só queria totalidade, só queria muitas brechas e fissuras, só queria passe livre para o que faz bem, para o que deve se aproximar; queria espaço de sobra para o que precisa estacionar por aqui.

Então, por favor, vida, traga a presença de tudo que for fundamental, nada menos do que isso.

 

E são necessários sorrisos aos montes: cheios, claros, quase a contornar o rosto todo. São necessários sorrisos de bom dia, que desmontem as tristezas, que reestruturem a alma, que façam valer as horas, que motivem outros sorrisos em retribuição e para dar continuidade, sem muito esforço, sem forçar nada, mas com toda a força.

Cortesias nos mais variados graus são absolutamente bem recebidas. A preocupação com a humanidade pode até envolver frases e fotos de efeito, compartilhadas em redes sociais, mas não se pode esquecer que logo ali ao lado, há um ser humano que merece simpatias, respeito e todo o cuidado no trato.

Abraços são mais do que requisitados sempre. Abraços são disputadíssimos e esfuziam os dias, principalmente quando duram segundos intermináveis e podem ser repetidos, sem justificativa alguma.

 

Eliminar pendências, dar “conferes” em listas de tarefas, solucionar velhos conflitos e dissolver mal-entendidos, tudo isso é prioridade na melhoria dos dias e a vida pede urgência nesse item. Porque ela exige leveza e é mais feliz quando dorme as noites com suavidade.

Relaxar a mente é exercício diário, permitindo que a inspiração surpreenda seu momento, eternize-o, a ponto de despertar tesouros antigos e desconhecidos.

 

Também ela, a vida, impõe coragem e faz andar mesmo com medo, faz criar com despudor e traz liberdade para a imperfeição. Cabe tremer de medo, desde que não pare, cabe deixar a imaginação fluir, desde que com verdade, cabe errar desde que não se desista.

 

Verdade! A vida inspira verdade. É no olhar, em uma frase, em um passo a passo pareado, na certeza do acolhimento, na verdade de cada gesto desses que o consequente estremecimento traz a catarse dos dias.

 

Há, em grande escala, a cobiça pela música, pela literatura: o que se lê, o que se escreve, o que se escuta, o que se canta faz a mente alçar um mergulho bem próximo ao infinito e retornar é incumbência dolorida, porém renovadora, pois quem foi já é outro quando volta.

 

 

Outra companhia imprescindível é a paixão pelo real e pelo irreal, a paixão por tudo que mova, que impeça de ficar estagnado na mesma poltrona, com a cabeça virada sempre na mesma posição. Que a paixão faça moradia onde quer que se esgueirem os pés, que toque sem sutileza, pois também ardor é bem-vindo.

 

E, por fim, o que tornaria todas as demais unidades possíveis, é premente acreditar. Acreditar muito, acreditar um tantinho, desacreditar até por instantes para acreditar em seguida com mais amplitude…não importa o nível, não importa o direcionamento, não importa a esfera, mas que se acredite como base, como ponto de partida. Que se acredite com sede, com o corpo, com o espírito; que se acredite no que há fora, que a crença esteja somente lá dentro; quer seja chama tímida de vela, quer seja fé incendiável; que se creia no todo, que se confie nas partes. E ao acreditar, sem sofrimento, a vida se estabelece em direito e, a partir daí, será indubitavelmente vivida no hoje, sem promessas para o depois.

Tag Cheia de Histórias

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Mais uma TAG a ser respondida, dessa vez com um aroma diferenciado: o Marcelo do blog Patriamarga me indicou para responder às dez perguntinhas dessa TAG, com a sugestão de que o fizesse de uma forma incomum, com ideias e histórias.

Pois bem. Seguem as minhas respostas, da forma que eu consigo fazer (evasiva, fazer o quê…?).

 

  1. Qual sua maior inspiração para escrever?

Ela vem. Começa bailarina, com seu passo harmonioso, sem remate, doida para saltitar à luz da lua. De repente pára, questiona. É interpelada. Não sabe se fica, se prossegue. E vira tempestade, com raios súbitos. Quem a trouxe? Alguma dor que não se acaba? Algum amor que nem existe? A constatação de que as adjacências podem ser diferentes? O que sei é que ora graciosa, ora tumulto, ela será bem vinda. Ela, a ideia. Continuar lendo