Sobre trançar as pernas

“Sou do tipo mãos vazias. Prefiro nada carregar e ter os braços livres. Mesmo que seja para travá-los na cintura em espera, cruzá-los em desaprovação. Fico, assim, pronta para um adeus inesperado ou um abraço loucamente necessário em quem acaba de chegar.”

Sobre amizades, parcerias, palavras que impulsionam, carinho, cuidado e sonhos: tudo isso numa galeria desse post.

Só me resta agradecer imensamente sempre e sempre.

As resenhas completas estão nos links em destaque:

Reflexões de Silvia Souza
Fabulonica
Meu Espaço Literário
Livrai-nos
Livros em mente
Aquela Epifania
Mini Biblioteca da Pry
São tantas coisas
Filósofo dos Livros
Pétalas de Liberdade
Ruivo Leitor
Pacote Literário
Recanto Literário
Lendo com Daniel
Um rascunho a mais
Devaneios da Lila
Coleções Literárias
Mundo da Sue
O Poderoso Resumão
Jornal Literatura e Cia
Livros e Chocolate Quente
Porão da Lara
Sincroniza aí
Literatura por amor
Caderno da Lua
Gnoma Leitora

 

Colo de mãe

Hoje Mãos Livres completa um ano do lançamento oficial, um dia muito muito especial para mim. Nada melhor do que comemorar com um texto do livro, não?

 

Colo de mãe

Ela já era muito grave, desde o nascimento. Por volta de 2 meses de vida, nunca havia saído da UTI. A mãe, ali do lado, quase não desgrudava dela, quase nunca a deixava sem um afago, e em nenhuma circunstância deixou de enxergá-la como o doce bebê com quem sonhara por tanto tempo, apesar do aspecto inchado, muito inchado, de quem já passou por tantas infecções, cirurgia cardíaca e procedimentos variados.

Já fazia tempo que não via os olhos da filha abertos, tampouco o fechar das mãos nas suas, o choro invocando sua presença. Um dia, ela revelou que não tivera a oportunidade de pegá-la no colo. Jamais. Ficava lá, em vigília ao lado do berço, quando muito, sentava em uma poltrona um tanto desaconchegada, ausentava-se nas situações de procedimentos para um café ou hidratar a boca pálida, permitindo que seus olhos esgotados espiassem também outros cenários, sem alarmes, monitores, números e gasometrias.

No entanto, a pequenina não melhorava. Seu aspecto e o quadro se agravavam ao longo dos dias, em verdade. Nenhuma medida surtia qualquer efeito. E face a face com a mãe, não havia como mentir, disfarçar, enganar. Não havia nem muito o que dizer, pois ela sabia.

Sabia da nossa tensão, das intermináveis discussões, do quanto estudamos procurando uma terapêutica diferente, de todos os especialistas que opinaram, do quanto a vida de cada um de nós também estava afetada por aquela história, já que é impossível passar imune numa UTI. Mas ela, a mãe, vistoriava diariamente sua própria força, reconhecia seus limites e diante desse impasse, executava a tarefa de esperar da maneira que suas pernas e seu amor aguentassem: trêmulos, ziguezagueando, às vezes, mas sem ruir.

Não se permite que um filho vá, ponto final. Mas eles partem. Aquele alvorecer foi implacável. Quatro perdas, ou seriam rendições? Quatro famílias sem alento. E a pequena e sua mãe, esgotada de lágrimas, estavam nessa sequência. Não se descreve dor, não se diz “eu sei” porque não há como entender, e a frase surrada de “ela descansou” é dispensável. Tudo é agudo demais para ser pronunciado, até mesmo o nome, quanto mais o indesejado verbo conjugado. Só dá para abraçar, chorar e ficar junto, fazer o que dá pra fazer: esperar.

Todo esse sofrimento, apesar de continuar intitulado dor, trouxe um momento mágico, sem lágrimas, e com uma devoção sem troca, mas mesmo assim um instante de entrega inacabável: após negar e negar, achar que não podia, não seria capaz, a mãe resolveu sentar naquela conhecida poltrona e pegou sua filha no colo, pela primeira vez. E ali ficou um tempo, transbordando-se de amor, sem pressa, num discurso silencioso, em despedida.

 

 

 

Cannonball

“But I won’t hide inside
I gotta get out, gotta get out
Gotta get out, gotta get out
Lonely inside and light the fuse
Light it now, light it now, light it now”

(Cannonball – Lea Michele)

Escrever é mais fácil do que falar, mas e quem não precisa contar sua história?

Sim, os sons gritam, pedindo liberdade. “I got this new beginning and I will fly like a cannonball”

Vídeo “Mãos livres”

Fiz um vídeo sobre a crônica que escrevi chamada Mãos livres, que dá nome ao livro que estou publicando, e acho que ele contém exatamente a mensagem que eu gostaria de passar, a maneira como encaro a vida…

Divido com vocês, então, o vídeo, feito com todo o carinho que me foi possível usar para produzi-lo.

“Como se nada pudesse me
fazer parar, como se fosse criar garras para lutar”

Capa

 

Maoslivres

“Sou do tipo mãos vazias. Prefiro nada carregar e ter os braços livres. Mesmo que seja para travá-los na cintura em espera, cruzá-los em desaprovação. Fico, assim, pronta para um adeus inesperado ou um abraço loucamente necessário em quem acaba de chegar.”

Vídeo: A revolução dos livros

Esse post é tão introspectivo quanto os demais, porém sua curiosidade é ter sido produzido justamente para fora, para o outro, para ser liberto e não pertencer mais a mim.

Trata-se de um video-divulgação; achei uma tarefa difícil fazer um booktrailer de um livro de contos e crônicas, principalmente para caber em 2 minutos, mas optei por divulgar trechos de algumas das histórias em forma de vídeo, e esse é o primeiro deles.

Um agradecimento especial a Juliana Lima do Blog Fabulonica, que me inspirou a começar esse trabalho, com um vídeo lindo que postou recentemente no seu blog.

Espero que gostem.

#Mãos livres

maos

Na infância e adolescência, algumas pessoas devem ter feito algum comentário açucarado sobre o que eu escrevia, pois eu continuei escrevendo. Peças de teatro, livro sobre amizade, dissertações algo pontiagudas, com interrogações logo no primeiro parágrafo, diários (escritos diariamente, sim!), poesias, enfim. Veio a idade adulta, a síndrome da incompreensão, a exasperação em encontrar as palavras corretas para buscar algum mistério sonegado em gotas de chuva, lagos e árvores herdando os murmúrios da ventania… Continuar lendo