Aos nossos crimes inexplicáveis

Algumas vezes é um tijolo que a vida lança na nossa cabeça. Outras vezes, a vida passa longe dessas transgressões e, no entanto, quem nos acena é a morte, com toda sua criminalidade.

– Tia, você vai ficar comigo?

Enquanto atendia em ritmo aventureiro na segunda-feira à noite de um pronto atendimento em pediatria, fui chamada para avaliar uma criança na sala de emergência, mais conhecida como sala de medicação, já que era raro algo de muita gravidade chegar ao nosso plantão.

Na maca, um menino de 5 anos de cílios gigantes, grau importante de irritabilidade, com palidez e gemência era o motivo de eu estar ali, numa apresentação típica de um quadro de choque séptico. A mãe, com o desespero Continuar lendo

Duetos: Eu só vim te dar a minha mão

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Mais um encontro para a série “Duetos”, oportunidade criada para deixar eclodir a vontade de conhecer o outro, de desafiar-me a novas formas de escrita e para me aproximar daqueles que cultivam as palavras como companhia predileta, sejam escritores, devaneadores ou parceiros na vida que gostem de traduzir em verbos suas sensações.

Hoje estou muito honrada em dividir as palavras com a Sílvia Souza, do blog Reflexões e Angústias.

silviaRoubei do blog dela a sua descrição de si mesma:

Uma mulher com múltiplas almas. Sou mãe acima de tudo. Profissional apaixonada pelo que faz. Sou sensível, romântica, sonhadora, intensa, sincera. Busco explicações todos os dias. Explicações para a vida, para os acontecimentos, para as belezas do mundo. Reflito sobre tudo o tempo todo. Não busco certezas absolutas, que não existem. Apenas quero encontrar meu papel na sociedade, porque quero viver em paz. Sou apaixonada por livros, por filmes, por viagens.

A máxima de sua vida é:

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A Sílvia é formada pela mesma Continuar lendo

Carta ao livro

“Um livro é a prova de que os homens são capazes de fazer magia.”
(Carl Sagan)

Querido amigo

Estou esgotada ultimamente, mal tenho forças para fazer-lhe companhia e dói-me o coração tê-lo tão contíguo todos os dias, tão desimpedido e destinar a você conversas tão curtas. Acredite, embora nem sempre eu o carregue, você me acompanha ao longo do dia, nem que seja em minhas aventuras mentais. Continuar lendo

Solidão

Há um raio de sol que permeia de solidão os arredores. Guiados pelo cansaço, os homens passam na frente do prédio, sem apego ao momento. Há poucas horas, cadáveres espreitavam entediados nossas primeiras descobertas. Nada é a certeza que nos condena. E, desprovidos de êxtase, corremos atrás de um sonho. Distante.

Tudo é poesia. Mesmorembrnt os restos de um corpo que já não responde por si mesmo. Eles passeiam pelos corredores, sobem e descem escadas e deixam, por onde passam, um rastro do seu desejo. Desejo que é sombra. Sem dono.

Poei Continuar lendo