Perdoando a si mesmo

Entre contemplativa e autônoma em sua caminhada, jogaram-lhe diante de si um ser repugnante: um rato. Esse impacto violento para o qual não estava pronta leva, na verdade, a uma reconstrução de si mesma. E para se reconciliar com o mundo, com Deus e consigo mesma, talvez seja necessário cometer seus próprios crimes.

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A cena é sóbria e desnuda: uma mulher caminha pela avenida Copacabana, tentando ser algo que poucos conseguem. Essa mulher dedica-se a ser livre.

O personagem anônimo de Clarice Lispector, em Felicidade Clandestina, no conto “Perdoando Deus”, figura em seu monólogo interior e abre a demanda para novas inspeções da realidade.

Essa mulher sente-se livre ao perceber o mundo ao redor e repara que tal ato mal precisa de suor; prestar atenção nas coisas é passivo, já que em um curto momento de epifania, torna-se ela responsável pelo mundo. Continuar lendo