Melancolia em versos

Na cozinha, o café esfria,
o pão com manteiga endurece
e a cabeça rodopia,
não sei bem o que acontece.
E nem sei o que fazer com essa monotonia.

A água da chuva já secou,
o universo despencou
e os escombros persistem morando no chão da sala,
ocultando aquela dor que ainda resvala
e não sei o que fazer com aquela fotografia.

As frases ditas se perderam em castigo.
As palavras não ditas se esconderam em abrigo.
A ausência se incorporou à minha nudez,
enfatizando os meus quilômetros e quilômetros de insensatez
e me pergunto o que fazer ao final do dia?

Viro para o canto: olhos abertos, lembranças insanas;
desencanto, caminhos incertos
(e a inércia se espalhando na cama)
e a cabeça leviana que olha para trás
e, por enquanto,
não é capaz de abandonar o passado ainda em vigília.

Procuro, então, uma sombra
mas é sol que fulgura.
Encaro o espelho em afronta,
Mas só enxergo tal imagem obscura.
E eu realmente não sei o que fazer
depois que a saudade distancia.

Sucumbir, mas retornar.
Definir e, enfim, praticar.
Mas o tempo estagna e a tristeza irradia.

Reconhecer é recomeçar,
surpreender ao se revelar
nesses versos em melancolia.

 

Imperativo

GentequeleePoesia

Chora,
e inunda metade de teus abismos.
Mente,
como se tudo fosse descrença.
Invade
cada fortaleza dessa existência.
Salta
por telhas de fascinação.
Nega
teus suspiros de prazer.
Sopra
cada frase de outrora
para longe.

Vibra,
e bebe o drinque da vitória.
Suaviza
meus sonhos com o toque dos teus desejos.
Apedreja
as sobras dos meus enganos.
Penetra
nos caminhos estrelados que construí para ti.
Finge
que teu rosto é somente sorriso.
Adormece
com os lamentos das preces
para jamais acordar.